19º Encontro de Agricultura Familiar Alentejana

26-11-2016 marp
19º Encontro de Agricultura Familiar Alentejana

Realizou-se no passado dia 26 de Novembro em Arraiolos o 19º Encontro de Agricultura Familiar Alentejana, promovido pela Ruralentejo – Conselho para o Desenvolvimento Rural do Alentejo, com o apoio da CNA – Confederação Nacional da Agricultura, através da sua delegação regional, e da Câmara Municipal de Arraiolos.

No encontro estiveram presentes mais de uma centena de agricultores oriundos das várias partes do Alentejo.

Esteve presente o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Dr. Jorge Macau que deu as boas vindas aos participantes no encontro.

Os trabalhos iniciaram-se com a intervenção do Dr. José Veiga, em nome da Direcção Regional de Agricultura do Alentejo, na qual fez a introdução do tema dos mercados de circuitos curtos.

Pela Direcção da Ruralentejo, Mário Eugénio, que fez um balanço da actividade da organização durante o ano.

Representando a Liga dos Pequenos e Médios Agricultores de Montemor-o-Novo, Alexandre Pirata abordou o tema da importância da pequena agricultura familiar.

De seguida, Vitor Lamberto fez uma apresentação da Marca Filhos da Tradição, o seu objectivo de defender a genuinidade dos produtos rurais e o apoio à sua comercialização.

Florence Melen da Associação Trilho, falou-nos das medidas legislativas que prevêem a aposta nos mercados de circuitos curtos e a sua importância.

Pela ADERAVIS interveio Joaquim Pifano sobre o conceito “banco de sementes”, os seus objectivos e os perigos da apropriação das sementes por parte das multinacionais.

Vanda da Silva pela MARP, apresentou o Projecto “Empreender no Feminino” e o papel das mulheres na agricultura.

O Eng.º Alfredo Cunhal veio falar-nos da sua experiência enquanto agricultor e apresentou-nos dois conceitos pouco conhecidos entre os agricultores. Conceito AMAP que se baseia na agricultura apoiada na comunidade e o conceito da agroecologia.

O Cabaz do Hortelão (núcleo de Évora) foi apresentado pelo seu responsável, Dr. Andrade Santos, salientando a frescura dos produtos que são disponibilizados aos consumidores e da mais-valia que é haver uma venda directa do produtor ao consumidor e dos ganhos em qualidade e económicos para ambas as partes.

Susana Raposo do Cabaz do Hortelão (núcleo de Montemor-o-Novo/Arraiolos) veio também dar o testemunho da sua experiência enquanto agricultora, das vantagens deste projecto e das dificuldades sentidas.

Por último Luís Lourenço fez um apanhado das ideias centrais do encontro, destacando a importância de desenvolver os mercados de circuito curto, facilitando o escoamento dos produtos da pequena agricultura local, reduzindo os intermediários entre o produtor e o consumidor e os respectivos ganhos em qualidade e financeiros.

Deste encontro conclui-se que:

  • São necessárias medidas concretas de apoio à comercialização directa, nomeadamente alterando a portaria dos agrupamentos e organizações de produtores, de molde a garantir o reconhecimento de organizações que cumpram o código cooperativo acabando com a regra do VPC (valor da produção comercializada) e permitindo que se dimensionem à medida das necessidades de resposta a cada situação concreta, fomentando preferencialmente o cooperativismo como forma de organização;
  • A necessidade de alterar a legislação da contratação pública de modo a permitir a aproximação entre as produções locais e os consumos locais, permitindo ainda que os refeitórios comunitários, de solidariedade social, públicos Municipais e Estatais possam adquirir localmente sem qualquer constrangimento legal produtos frescos sazonais;
  • Que o estado português em todas as instâncias internacionais onde se faz representar, não permita que as sementes tradicionais sejam patenteadas ou proibidas de serem utilizadas por quem sempre as reproduziu e utilizou, os agricultores;
  • A necessidade da indexação dos subsídios e apoios à agricultura à produção efectiva combatendo o absentismo da actividade agrícola;
  • A exigência preços justos à produção e criação rápida de instrumentos públicos de regulação da comercialização bem como controle eficaz de das importações muito especialmente em períodos de colheita, ao contrário do que agora acontece.

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