A Mulher no mundo dos Homens

MARP
A mulher rural

Eu só percebi que o “mundo” era dos homens depois que tomei conta da exploração agrícola.

…Era porque o empregado que “herdei” me substimava e queria ser ele a fazer os negócios ou mesmo a falar com os técnicos que vinham fazer as vistorias pensando ele que eu não saberia o que responder. Dizia-me ele – oh minha senhora, é melhor ser eu a responder! É claro que eu nem sequer lhe dei hipóteses, monopolizei a conversa uma vez que eramos colegas.

…Era porque a família pensava que eu ia meter tudo no “prego”! E que mais tarde eles vinham arrendar-me as propriedades e tomar conta de tudo. No fim de contas dei conta do “recado”:

O empregado fez-me uns meses mais tarde um ultimato e eu pus-lhe uns “patins”.

A família cada um tomou conta da sua parte.

Nos negócios também percebi que era preciso ser firme.

Lembro-me de uma vez um negociante dizer que quando foi a uma exploração de um conhecido, e viu que os animais valiam 300€, o dono pediu-lhe 250€ e ele disse que só lhe dava 200€.

E contou-me isso a dizer que independentemente do que valiam ele tinha que oferecer sempre menos do que pediam porque o vendedor podia sempre pensar que afinal eles valiam mais se ele aceitasse prontamente a quantia pedida.

Numa ocasião um comprador quis-me comprar os vitelos, eu disse quanto queria, ele disse que não que só oferecia X, e eu como não gosto de discutir, disse simplesmente que não os vendia pelo preço proposto e disse-lhe que tinha mais que fazer e foi-se embora. Mais tarde vendi-os pelo valor que eu queria a outro negociante.

Para mim a coisa que mais me marcou foi a chantagem dos empregados. Tinha um que a certa altura dizia – Aí se o Tó se vai embora!- Eu ficava em pânico, a exploração andava bem, os animais eram bem tratados; Até que um dia confidenciei com uma pessoa que conhecia a natureza humana e que me disse que ele nunca se iria embora porque ganhava bem, fazia o que queria e sobretudo não havia trabalho noutra área para ele.

Então quando ele me voltou a dizer que se ia embora no fim do mês eu simplesmente lhe disse que por mim estava tudo bem, que não era problema. O fim do mês chegou e ele continuou!!

Arranjei algumas inimizades, não gosto da palavra inimigos.

Inimigos é uma palavra muito forte e desagradável. Inimizades, bom, mais tarde ou mais cedo as pessoas acabam por perceber o porquê de agir assim, e retomam o contato.

Um conhecido meu disse-me uma vez, quando me queixei que algumas pessoas não gostavam de mim, - Pois as pessoas julgavam que você era uma coitadinha e depois viram que afinal você era uma filha da mãe!!!

Agora fala-se muito de assédio, meu Deus, tanto para dizer, mas tudo se resume numa mensagem ou filosofia – Afasta-te de todos (os homens)!

Se uma pessoa solteira se dá com outra ou vão pensar que anda metida com ela ou essa pessoa vai pensar que se pode meter com ela!

E por vezes o que queremos é simplesmente conviver e ouvir opiniões.

Quando se veste a camisola de empresária agrícola, todos os “as” devem ser trocados por ”os”, é um mundo onde só os homens contam, os homens sabem, os homens decidem…é preciso aprender a ser homem, até para saber responder de igual para igual e esquivarmo-nos aos piropos, abusos e chantagens dum mundo machista que não vai deixar de o ser tão rápido nos próximos tempos.

(Simplesmente eu)

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