A Mulher Rural

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A mulher rural

Também denominada por camponesa, ensinamentos recolhidos através dos Povos e transmitidos de geração em geração, leva-me a concluir que afinal as traves mestras das casas, ou se quisermos poderia chamar-lhes cumieira, que manteve durante séculos as casas rurais em pé, foi sempre atribuído ao homem, mas foi a mulher rural que durante milhares de anos carregou aos seus ombros toda a responsabilidade da gestão do lar, mantendo a cumieira de pé e dedicando o amor aos filhos e marido.

Embora tantas vezes escorraçada, mal tratada, descriminada pela sociedade desde de há milhares de anos, nunca perdeu o norte, nem perdeu o seu amor aos filhos e ao campo. Foi sempre a primeira a levantar-se da cama, fazendo o caldo que servia de pequeno almoço para a todos de casa, preparando os filhos mais novos, colocando-os na gamela de madeira por vezes com menos de um ano, um dos irmãos com 3 e 4 anos junto da gamela para dar o primeiro sinal sobre o que estava a acontecer ao irmão, porque a mãe rural colocava sempre os seus filhos á sombra de uma qualquer árvore, o mais perto possível dela e, trabalhando a terra de sol a sol de onde poderia adquirir algum sustento para casa.

A mulher rural de hoje, apesar das muitas alterações, ainda está longe de atingir os direitos que as leis e até a constituição de Republica Portuguesa lhes confere. Mas para a minha pessoa a mudança está nas mãos delas, e como o tempo é sempre o melhor mestre, tenho esperança de que um dia elas acordem;

Porque longe vai o tempo, que o José carpinteiro, há mais de 2000 anos, só permitia que Maria mãe do nazareno, que cozinhou e serviu o alimento, se sentasse à mesa para comer depois de ele ter comido e se ter levantado da mesa.

Diria então que a mulher camponesa era e, ainda é, o pilar fundamental que sustenta toda a trave da casa.

Apelo a todos os grandes senhores que mandam e comandam o planeta que façam cumprir as leis, que salvaguardem os direitos a todas as mulheres e as defendam, porque poderia ser a vossa mãe ou filha e que sem agricultura familiar em que a mulher rural é basilar, com certeza não existiria ninguém no planeta.

António Machado

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